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» MEM. JACKSON

CAIANA DOS CRIOLOS


APRESENTAÇÃO

Nem mesmo os mais velhos moradores de Caiana dos Crioulos sabem quando lá chegaram.

Numa região escondida, ainda coberta de matas, de difícil acesso, com um terreno íngreme, morros e grotas, de onde podia  observar a chegada de estranhos, Caiana era ideal para o isolamento, em busca da “liberdade”.

Caiana dos Crioulos possui típicos requisitos de quilombos, um “pedaço da África”, onde seu povo com uma pureza étnica ainda preservam muito das suas tradições (própria da cultura africana). São desconfiados, visto as marcas de um passado que agrediu sua liberdade e sua cultura.
A realidade é que Caiana dos Crioulos é um dos 13 remanescentes de quilombos existentes no Brasil que é reconhecido pela Fundação Palmares.
Assim, Caiana é uma relíquia de nossa história, já que sua origem deve-se a possível fuga de seus moradores do Quilombo dos palmares (quando atacado) ou de uma rebelião de um navio negreiro na Baia da Traição, sendo história viva do nosso Brasil.

HISTÓRIA

A 12 km da cidade de Alagoa Grande, encontra-se a comunidade de Caiana dos Crioulos.
Caiana está situada em uma região de difícil acesso, principalmente no inverno, típica de Quilombos, que até a década de 70 o contato com os brancos era restrito.

A cerca de 20 ou 30 anos atrás usavam roupas coloridas, presentes ainda hoje, pois preservam ainda muitas de suas tradições como a ciranda e a banda de pífanos, conhecidos em vários estados do Brasil.

O nome Caiana deve-se a enorme quantidade de plantações de cana caiana na região. A parte Crioulos, foi acrescentada por se tratar de uma comunidade de Crioulos.

A comunidade está organizada numa relação de parentesco.

É importante destacar a importância da comunidade de Caiana dos Crioulos para a cultura do Brasil, onde as tradições devem ser preservadas. Para isso é preciso que todos os moradores busquem resgatar as mais diversas formas de Arte e memória existente na Comunidade como danças, músicas, artesanatos, costumes, personagens, lendas, etc.

RESUMO

 Acesso: A 12 km da cidade pela estrada não pavimentada que vai até a cidade de Massaranduba.
População: Comunidade com cerca de 800 habitantes, distribuídos em torno em mais de 200 famílias.
Infra-estrutura:  Possui  igreja, escola de pré a 8a série, posto de saúde, telefone, salão para reunião, mercearias, energia, água, casa de farinha. Associação
Relevo: morros, serras. É uma região íngreme.
Clima: quente e úmido.
Vegetação: de transição do brejo com caantinga.
Hidrografia: apresenta poços, cacimbas e açudes, rio.

Lendas:

CURIOSIDADES

Algumas curiosidades e costumes de Caiana dos Crioulos

Antigamente as moças e rapazes podiam se encontrar para namorar. Então elas faziam um buraco na parede para ver seus namorados.

Eles não pronunciavam a palavra “cobra” ao se referirem a uma temendo que esta apareça em casa depois. Chamavam de “Lisa” ou simplesmente “C”.

A realização dos casamentos acontece pela manhã. As noivas permanecem com seus trajes todo o dia. A troca do vestido acontece no outro dia quando alguns convidados a levam para casa.

Há cerca de 20, 30 anos, as mulheres primavam pelas roupas coloridas, onde o vermelho, o rosa-choque e o amarelo-ouro predominavam. O branco nas roupas e nos lenços de cabeça também era muito usado. Traços evidentes da longínqua origem africana que o tempo e a mudança de costumes não acabaram.

Os moradores de Caiana praticam o cântico de “excelência” que é um cântico em homenagem aos mortos.

Ainda é de costume desde as épocas mas antigas a prática do oficio de Nossa Senhora, as quatro ou cinco horas da manhã, além do terço as seis da noite.

Quando se deslocam para viver em outras regiões do país, os emigrantes de Caiana costumam se localizar em uma mesma localidade.

Em épocas passadas, havia a prática de se colocar cinza do piriri, cuspe e sarro de cachimbo nos umbigos das crianças recém-nascidas.

Diziam que a entrada de um branco na família lhe degradava o sangue e os costumes.

Fonte: Aldir Barbosa de Souza
 


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